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Revelação (Apocalipse 1)

Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João, seu servo
(Apocalipse 1:1)


Revelação é a comunicação de Deus com o homem (GEE "Revelação"). Todo livro de Apocalipse é na verdade uma comunicação sagrada, dada por ministração angelical, teofanias e dons espirituais, a João, apóstolo de Jesus Cristo - o qual a recebeu enquanto isolado na ilha de Patmos. O termo "Apocalipse" deriva de uma palavra grega que significa "revelado" ou"descoberto", por isso, em inglês, por exemplo, o nome do livro é Revelation (Revelação).

O propósito do livro de Apocalipse é bem claro. Logo de inicio João esclarece que o livro foi escrito para mostrar aos servos de Deus as coisas que brevemente deveriam acontecer (Apocalipse 1:1). É também propósito de João, testificar a respeito de seu Senhor e Salvador, Jesus Cristo, de quem ele era testemunha pessoal e ocular. Podemos até dizer que o livro de Apocalipse é uma síntese dos atos do Senhor Jesus Cristo para com os homens em toda a História Humana - com ênfase especial nos últimos dias.

Antes de adentrar no estudo do livro de Apocalipse propriamente, investigando a revelação de João, devemos esclarecer mais adequadamente o que vem a ser Revelação e depois falar um pouco sobre quem era João.

Revelação, como mencionei acima, é a comunicação sagrada de Deus com seus filhos.

A revelação ocorre de forma diversificada. Ela pode vir por meio de sonho – como José do Egito, que na juventude sonhou que um dia salvaria sua família (Gênesis 37:5-11); visão – como a Leí, que aprendeu sobre a Árvore da Vida (1 Néfi 8); por ministração angelical, como o Rei Benjamim, que aprendeu sobre o sacrifício de Cristo (Mosias 2:2-4); por uma voz divina, como a João Batista após batizar o Salvador (Mateus 3:17); por uma ideia na mente, como Enos ao orar no bosque para obter perdão (Enos 1:10); ou ainda como um sentimento, como Samuel, o Lamanita, ao declarar ao povo iníquo tudo que o Senhor lhe pusera no coração (Helamã 13:4-5). Todos nós podemos experimentar a revelação. A forma mais comum de revelação, sem dúvida, é a impressão que temos na mente e no coração – uma ideia clara que é confirmada por um sentimento de paz. Como o Senhor disse:
“Eis que te falarei em tua mente e me teu coração, pelo Espírito Santo que vira sobre ti e que habitará em teu coração. Ora eis que este é o espírito de revelação.” (D&C 8:2)

Nessa escritura aprendemos que o Espírito é vital para revelação (Morôni 10:3-5). E que esse Espírito habita em nosso coração – o coração é símbolo da vontade e disposição do homem (GEE "Coração"). O que significa que se nossa vontade e disposição estiverem direcionadas para as coisas de Deus, convidaremos o Espírito a revelar-nos as verdades que o Pai deseja que aprendamos por meio de sentimentos e ideias.

As revelações, novamente, vêm comumente numa voz suave e mansa (II Reis 19:12). Certamente a "voz de trovão" é sentida mais pelos iníquos do que pelos justos. O Senhor não se agrada dos que precisam ser compelidos com fortes revelações para agir justamente (D&C 58:26). Mas por amar os pecadores às vezes revela-se de modo mais drástico a eles (1 Néfi 17:45). O Espírito, contudo, não luta para sempre com o homem, e se a revelação for vez após vez recusada, advirá rápida destruição (2 Néfi 26:11).

Para recebermos revelação devemos pedi-la em oração (Alma 37:37). Os requisitos para a recebermos são: fé em Jesus Cristo, real intenção e coração sincero (Morôni 10:4-5). Algumas perguntas e desejos não poderão ser respondidos e atendidos no tempo que julgamos ser o melhor - isso, porém, será para o nosso bem (D&C 88:64). Mas Deus sempre ouve as orações e sempre as responde, no devido tempo.

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